A GUERRA ENTRE O SER HUMANO E SUA MENTE

A famosa ”luta contra o autismo” e as minhas conclusões sobre o assunto.

leo

Estive analisando e lendo as pessoas relatando sobre ”a famosa luta contra o autismo”. Começo a perceber que muitos ainda estão longe de conhecer ou saber a quem ou a que devemos lutar. Aí vêm várias perguntas: A luta é contra a pessoa? Ou a luta é contra a condição? Ou temos que combater os pontos negativos da condição?

E se a luta for necessariamente contra o autismo?

Penso assim, quando as pessoas dizem, vamos lutar contra o autismo, é como as pessoas dissessem: Vou lutar pela extinção do autismo, pois até aqui a culpa é toda do autismo. Raciocinem um pouco e vejam se isso seria o correto falar ao público.

Imaginem um grupo de ativistas do movimento neurodiverso chegar em frente ao palácio do planalto e dizer: Vamos lutar contra a normalidade e contra o combate a mente neurotípica. Será que isso é algo com noção ou sem?

Se o mundo necessita de todos os tipos de mente pra sobreviver, isso significa que sem os autistas no mundo a tecnologia não avança, nem as pessoas iriam descobrir este universo tão complexo, que é a mente autista.

Um grupo de ativistas neurotípicos se manifestam contra o autismo (condição) e um outro grupo de ativistas se manifestam contra o ”neurotipismo” isto é algo que tornaria um ”campo de guerra” entre as mentes.

E se a luta for contra os autistas?

Creio que isso pode não estar acontecendo. Há algumas pessoas que podem pensar que ”lutar contra a condição” é o mesmo que lutar contra as pessoas com a mesma condição.” Isso seria algo sem noção.

Porém isto pra mim pode fazer um pouco de sentido, mesmo que a luta contra o autismo e contra os autistas podem ser campos de guerra bem diferente e que foge bastante do foco das pessoas. Voltando aos dois grupos adversários que lutam uns contra os outros de uma maneira bem diferente. Outrora era um campo de guerra entre as mentes, agora se torna um campo de guerra entre as pessoas. Isto mesmo, se a luta fosse contra autistas, seria algo completamente desumano. Imaginem um ativista neurotípico se manifestar contra um autista e dizer: ”Vamos lutar contra os autistas e vencê-los” ou ”Vamos lutar a favor da extinção do autismo, acabando de vez com as pessoas que são autistas”. Nesta parte, isto pode fazer sentido.

E se a luta for contra os pontos negativos do autismo?

Agora estamos falando de limitações, que nem sempre é culpa da natureza autística. Seria algo que já condiz com a realidade das pessoas que querem superar apenas os ”pontos negativos” da condição e não a condição em si mesma como um todo. O autismo não tem culpa se a pessoa não fala, ou sofre com birras ou colapsos o tempo todo. O autismo também não é culpado do filho não poder ser independente, pois o campo de guerra aqui é entre as mentes, correto? É a mesma coisa quando diz respeito aos superávits da vida, o autismo não é responsável pela genialidade de Albert Einstein, isto é um dom que ele tinha.

O autismo não causa ”transtorno” nem mesmo um superávit, sabemos que ele existe, porém a responsabilidade está nas mãos do cérebro.

A origem dos famosos ”pontos negativos” do autismo:

Se há uma hipersensibilidade auditiva, tão comum nos casos de autismo, a responsabilidade não é da condição, mesmo que pareça tão comum neste caso, mais uma vez o campo de guerra está localizado na mente. Se há resistência ao sono, o cérebro é o responsável, se há atraso na fala, o cérebro é responsável, se a pessoa ”finge ser surda”,  o cérebro não processou as informações nitidamente.

Se seu filho ou filha autista finge ser surda, não é que ele/a esteja necessariamente surda, (mesmo que você faça uma bateria de exames com o especialista) o cérebro pode ter se ”desconectado” do mundo real, ignorando os ruídos em volta.

Conclusão

A nossa luta não é contra o autismo, porque nem sempre o autismo é culpado de inaugurar o campo de guerra entre famílias de pessoas autistas, nem contra os autistas, óbvio que o autismo não define as pessoas, nem tampouco as pessoas com outros tipos de mente devem lutar contra os semelhantes. A luta é contra os pontos negativos e pela percepção do cérebro. Ah, os estudos mostram que o autismo não está apenas localizado no cérebro, os determinados tipos de alimentos também influenciam na causa…

Deixando os estudos de lado, chego a uma conclusão. As pessoas precisam entender o campo de guerra entre a pessoa e sua mente, não é a condição que tem culpa. Que nós venhamos a dominar as nossas mentes, mesmo que nem todos consigam ter pleno domínio para vencer na guerra entre o ser humano e sua mente.

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Leonardo Ricardo