A REALIDADE POR TRÁS DA MAIORIDADE

A REALIDADE POR TRÁS DA MAIORIDADE

Como todo jovem que já está em transição para à maioridade pensamos que a nossa vida mudará radicalmente, achamos que alcançaremos a liberdade para escolher o que fazer,  andar por onde quiser, assinar um recibo, tirar a carta de motorista, frequentar lugares onde é proibido para menores de idade e por aí vai. Quando completamos dezoito anos estamos aptos para respondermos pelas próprias atitudes e tomar decisões próprias. Na verdade não é bem assim.

A maioridade civil não muda radicalmente a nossa rotina doméstica. Muitos de nós moramos na casa de nossos pais e continuamos a fazer as coisas de sempre. Há quem diga que a vida pós-maioridade é praticamente a mesma coisa. O que muda afinal de contas?

Ao irmos para o médico, de qualquer área, entra a responsabilidade de poder assinar a nossa própria ficha, coisa que não fazíamos quando menores de idade.

Dentro de casa, nossa responsabilidade não chega a ser tão grande quando ainda estamos solteiros e morando com os pais. A prestação de serviço aos pais continua a mesma. Os pais continuam a “pegar no pé dos filhos” enquanto ainda estiverem morando com eles. Nossa vida após a maioridade é desafiadora, enquanto continuamos solteiros, nós ainda estamos despreocupados quanto a assumir responsabilidade dentro de casa.

Como todo menor, pensamos algo que na realidade não é como imaginamos. Achamos que estaremos livres dos pais e que não necessitaremos mais deles, é pura ilusão esta ideia, já que enquanto morarmos juntos a responsabilidade não chegará assim tão significativamente.

A criança tem um sonho, ser um biólogo, ou engenheiro, médico, advogado, policial, bombeiro, astronauta, eletricista, veterinário, etc. São tantas profissões que pensamos na quarta série e achamos que nossos desejos não falham e que realizaremos com facilidade os nossos sonhos de infância.

O tempo passa e agora enxergamos a realidade ou não! Muitos de nossos ex-colegas ainda estão estudando, cursando graduação ou pós-graduação, mas conseguiram realizar os seus sonhos de infância. Mas por que comigo não aconteceu? Muitos sonhos de infância ainda não estão realizados, o que deve ter ocorrido para eles não tivessem ocorrido ou em andamento? Há cidades em que não há faculdades públicas e recorrer a faculdades privadas custa tão caro que nem mesmo a própria renda mensal permite, pois determinados cursos custam acima da própria renda do cidadão.

Alguns correm atrás de oportunidades para realizar o sonho de se tornar um especialista em uma área tão sonhada na infância, já outros tentam, porém, por causa de motivos familiares, trabalho ou até mesmo reprovação em processos seletivos, como o ENEM e vestibulares, acabam desistindo de realizar o sonho. Muitos até conseguem tirar uma carta de motorista ou até mesmo uma renda mensal boa, o que faz toda diferença.

O casamento é outro desafio, outro sonho de infância, ou talvez na adolescência. Na realidade, vejo pessoas com mais de trinta anos de idade ainda morando na casa dos pais, enquanto outros com dezessete anos se casam. Ou vice-versa. Casamento é questão de tempo! Não se conquista facilmente como pensávamos quando ainda éramos menores de idade. Como toda criança, brincamos até mesmo de casamento. E na verdade, quando muitos casam, não é exatamente com a mesma pessoa com quem brincam. Pode até ocorrer isto, porém acho difícil opinar nesta maneira com segurança e confiança, pois é uma questão bastante complexa e cada história contada é única.

Mesmo que isto não ocorra de fato com você, caro amigo, isto não significa que você nunca irá casar, enquanto há vida, há esperança! Enquanto isto, a vida de uma pessoa dita maior de idade, dentro da casa dos pais, ainda solteiro, não muda radicalmente desde a menoridade. Muitos de nós ainda estudamos aos dezoito, apesar das diferenças entre a menoridade e a maioridade esteja apenas escrita na lei e em alguns momentos como: Ir a um médico para assinar a própria ficha, ir a algum lugar sozinho sem depender da assinatura dos pais ou ainda comprar nossas coisas no próprio nome. Na prática, a mudança é pequena, já que ainda somos dependentes. E quando essa situação mudar, os desafios serão outros.

Meus pais, por exemplo, se conheceram em 1992 e a vida deles não era fácil. Minha mãe tinha aproximadamente 19 anos, meu pai, 25. Na época a maioridade civil iniciava aos 21 anos de idade, pra se ter uma ideia, minha mãe com 19 já conhecia o meu pai e naquela época iniciava uma fundação de família. Eu observo cada preocupação com as contas de casa, como isso causa estresse neles, provocando dor de cabeça. Somar conta daqui, fazer as conta acolá, cálculos e mais cálculos e dor de cabeça.

Tudo isto é a consequência da maioridade, da tão sonhada independência e da vida após o casamento, é aí que a responsabilidade aumenta e a nossa vida muda para sempre. Adeus vida de solteiro, adeus mordomia!

 

    Leonardo Ricardo

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