COMO É SER HIPERMÉTROPE

COMO É SER HIPERMÉTROPE

Para quem não sabe uso óculos, quantos graus e qual é minha dificuldade visual contarei um pouco aqui.

Eu tenho hipermetropia, astigmatismo e estrabismo, além de ter autismo leve, de alto e bom funcionamento com inteligência acima da média, talvez. E a hipermetropia é um erro de refração que causa dificuldade para enxergar de perto, ou seja, se depender do grau, nós hipermetropes, moderados ou leves, enxergamos bem à distância, tornando facultativo o uso de óculos.

Como um hipermétrope como eu enxerga? Eu não sou ninguém sem meus óculos, não consigo ler um dicionário cujas letras são pequeninas, conto com ajuda dos meus óculos pra isso. Você que tem mais de 40 anos sabe muito bem o que estou dizendo, talvez que tenha uma adição de 1,5 graus enxerga pior que aquele com 3 graus de hipermetropia ainda jovem. Digo isso por experiência própria!

O astigmatismo acentuado é outro problema que desfoca as imagens, não importa qual seja à distância. Isso ocorre porque a córnea de quem possui esse problema é “pontuda”, tem gente que enxerga as letras como fantasmas, isso é astigmatismo.

No meu caso, quando observo o ponto de luz no olho astigmático, eu vejo raios, mesmo usando óculos. É como se fosse uma estrela e não um ponto nítido. O olho não astigmático enxerga o ponto sem ofuscamento, nem raios, o ponto está no centro, sem “presença” de raios, ou sombreamento. Meu caro, o que é estrabismo? Estrabismo é um desvio de um ou ambos os olhos, existe vários tipos de estrabismo, existe um intermitente e o fixo, fora os grupos como esotropia, exotropia, hipertropia e hipotropia.

Esotropia é um tipo de estrabismo que tenho também conhecido como “estrabismo convergente” que nada mais é que o olho desviado para dentro. Exotropia é o contrário da esotropia, é conhecido como “estrabismo divergente” que é um desvio de um ou ambos os olhos para fora. Isso pode ser intermitente ou não. Intermitente é aquilo que é provisório, ou seja, que não é contínuo e se manifesta por um tempo e depois volta ao normal. Já o caso da hipertropia e da hipotropia são desvios verticais, ou seja, um dos olhos é desviado para cima (hiper) ou para baixo (hipo). Eu tenho graus diferentes em cada olho, o que explica o possível estrabismo. No olho direito tenho 2,75 graus de hipermetropia e no esquerdo 0,50 de astigmatismo, com eixo de 180 graus. Eu descobri a hipermetropia com 17 anos de idade. Na escola eu mal enxergava as letras que estavam no dicionário, para mim eram borrões, mal conseguia ler. Tinha tonturas e as letras saltavam e ficavam sombreadas como se fossem fantasmas, quase via a segunda imagem, porém pouco perceptível para mim.

A vida de quem tem hipermetropia, como eu, é bem difícil. Já começam pelas lentes que são grossas, os olhos ficam maiores por causa do grau, então para diminuir a aberração, eu teria que usar lentes de médio a alto índice de refração, ou seja, lentes mais finas, mesmo usando todo esse grau, quase três no caso. Vocês imaginam há quanto tempo sou estrábico? Tenho fotos relíquias, eu era praticamente um bebê, tinha aproximadamente oito meses de idade e já estava com estrabismo. Infelizmente, eu comecei a usar óculos com 17 anos de idade. Graças a Deus não tenho vista preguiçosa, enxergo super bem com óculos, não preciso usar prismas, nem outro recurso óptico, além dos bons e velhos óculos. Quando eu coloquei os meus óculos pela primeira vez, na minha adolescência, comecei a perceber a riqueza nos detalhes, as letras bastante nítidas, até ler um dicionário com letras pequenas como qualquer outra pessoa que enxergasse bem. Sei que hoje em dia há um avanço na área de oftalmologia, muitos recém-nascidos, ou crianças com poucos meses de idade estão realizando testes do reflexo no olho, mais conhecido como “teste do olhinho”.

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Vou deixar um pouco da minha experiência usando óculos para terminar esse texto: Meus primeiros óculos não tinham Lentes Transitions. Infelizmente não conseguia enxergar direito, não era o grau que estava errado, a causa era um reflexo forte no sol que me incomodava, além de causar ardor nos olhos e cansaço visual. Na época em que eu ainda estudava, no ano de 2011, eu me deparei com os óculos de uma senhora simpática, Dona Antonia, a então inspetora de alunos. Os óculos dela escureciam e clareavam. Eu pensava que trocava de óculos, então tirei minhas dúvidas com ela. Quando descobri esse tipo de lente “poderosa” logo arrumei o jeito de comprá-la para meus próximos óculos, o segundo. Quando comecei a usá-las e constatar que funcionavam, meus pais ficaram surpreendidos com esta tecnologia, pois eu já havia falado pra eles que precisava dessa lente para poder me adaptar melhor em ambientes super luminosos. Nossa não tinha comparação, as lentes comuns não funcionam comigo, mas quando descobri as Transitions pude exagerar um pouco, por isso vou escrever a frase clássica: “As lentes Transitions mudaram minha vida, mudaram meu olhar. Hoje eu enxergo bem, os cientistas estão de parabéns por tamanha tecnologia e tão necessária como essa”.

  Leonardo Ricardo

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