DEDICAÇÃO E SUPERAÇÃO

DEDICAÇÃO E SUPERAÇÃO

Meus primeiros anos na escola foram realmente sofríveis. Eu realmente tinha muita dificuldade para aprender a escrever e a ler.

Durante quatro anos frequentei a classe especial, mais precisamente de 1982 a 1986.

Mesmo com o carinho e dedicação da memorável professora Maria Helena, eu não me sentia confortável naquela classe.

Com dificuldade no aprendizado e o atraso na série escolar em relação aos outros meninos de minha idade, eu era bem complexado!

A professora Maria Helena era bastante paciente e persistente em suas aulas e acreditava no impossível.

Não era simplesmente profissional, mas interessada de mente e coração na evolução de seus alunos.

Antes da dedicação da professora, eu tinha (e ainda tenho) a minha mãe sempre bastante dedicada e preocupada com o filho diante das dificuldades na escola.

Até dias desses, eu tinha vergonha de contar essa história, hoje não vejo razão pra tal constrangimento.

Nesses tempos havia, num bairro vizinho ao nosso, uma professora primária de uma família amiga nossa como eram chamadas na época, Adriana.

E foi assim que minha mãe pensou nela pra ajudar-me no reforço escolar.

Eram duas aulas complementares por semana que se estenderam por uns três meses.

Um dia resolvi contar a novidade à professora Maria Helena, que desaprovou o projeto de minha mãe sobre o reforço, demonstrando visível chateação e suspeita de desvalorização do seu trabalho para comigo, um aluno difícil…

E o protesto da professora, sobre a auxiliar, tinha fundamento sim. Apesar de ser uma boa auxiliar, dedicada, o seu método era “comum”, sem estratégias diferenciadas e eu não conseguia acompanhar.

Por isso, essas aulas de reforço foram por pouco tempo e não contribuíram muito ao meu aprendizado.

A professora Maria Helena tinha seus critérios próprios para ensinar seus alunos com dificuldades de aprendizagem que realmente funcionavam, embora a médio e longo prazo.

A classe especial tinha um número bem reduzido de alunos, uns doze…  E todos eram acompanhados individualmente pela professora.

Havia diariamente, durante a aula, cinco minutos pra “relaxar” e um grande aquário que, de certa forma, servia como terapia.

Também havia uma caixa com muitos brinquedos pedagógicos, usados não somente pra descontrair como pra ensinar.

A classe especial era uma espécie de primeira série “sem passar de ano” até que o aluno estivesse realmente apto ao segundo ano primário. E foi entrando para a adolescência, aos onze anos, que finalmente fui promovido para a “segunda série”!

Mas, enfim, passados mais de trinta anos do aprendizado básico, prevalece o resultado da dedicação da professora insistente, que persistiu naquilo que , pra esse que escreve , é hoje e sempre será a união do útil ao agradável, ler e escrever!

     Eliseu Acacio

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