DISLEXIA

Ao contrário do que muitos pensam, a dislexia não é o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição socioeconômica ou baixa inteligência. Ela tem sido vista como uma condição hereditária devido a alterações genéticas, mas tal só acontece numa pequena percentagem de casos. Ela também é caracterizada por apresentar alterações no padrão neurológico.

Uma equipe multidisciplinar, formada por Psicóloga(o), Fonoaudióloga(o) e Psicopedagoga(o) Clínica(o) deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve ainda garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista e outros, conforme o caso.

A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. É o que chamamos de AVALIAÇÃO MULTIDISCIPLINAR e de EXCLUSÃO.

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Muitas das causas de muitas dislexias já são conhecidas há muitos anos e muitas delas (quase todas) podem ser corrigidas em pouco tempo contrariamente ao que frequentemente se afirma por médicos e especialistas.

No entanto são muito poucos os profissionais que conhecem e se entendem com este e outros problemas e com as suas soluções e correções.

O importante, no entanto, é procurar quem se entenda com a resolução deste e de muitos outros problemas, pois as soluções já existem há muito tempo e muita gente hoje vive feliz sem este problema.

E como fazer na idade escolar, então?

A criança disléxica deve frequentar a escola regular. É importante que a equipe escolar conheça os aspectos característicos da dislexia, o funcionamento leitor do disléxico e esteja pronta e disponível para atender estas necessidades especiais.

A dislexia é uma dificuldade específica de aprendizado da Linguagem: em Leitura, Soletração, Escrita (neste caso, o termo técnico mais apropriado é disgrafia), em Linguagem Expressiva ou Receptiva, em Razão e Cálculo Matemáticos, como na Linguagem Corporal e Social. Não tem como causa falta de interesse, de motivação, de esforço ou de vontade, como nada tem a ver com acuidade visual ou auditiva como causa primária.

Dificuldades no aprendizado da leitura, em diferentes graus, é característica evidenciada em cerca de 80% dos disléxicos. Dislexia, antes de qualquer definição, é um jeito de ser e de aprender; reflete a expressão individual de uma mente, muitas vezes arguta e até genial, mas que aprende de maneira diferente, e realmente não está contemplado nos casos específicos que demandam o AEE (Atendimento Educacional Especializado).

Em virtude da ênfase que é dada a determinados distúrbios na sociedade, muitos profissionais pecam ao diagnosticar precocemente as pessoas. Nesse caso em especial, muitas vezes professores por falta de conhecimento passaram a rotular maus leitores como disléxicos e vice-versa.

A dislexia é, pois, uma síndrome para atendimento médico, embora não se trate de uma doença. Para os educadores, o que inclui pedagogos, psicopedagogos e profissionais de ensino, dislexia é uma dificuldade de aprendizagem de leitura (DAL).

DISLEXIA

O processo de aprendizagem de leitura do disléxico é extremamente lento. Quando o indivíduo começar a ler, irá construir ao longo do tempo um estoque de palavras que serão adequadamente armazenadas em seu cérebro. No caso do disléxico, como apresenta dificuldade em nomear letras, sílabas e palavras, e relaciona poucas letras de uma palavra a seus sons, o resultado do armazenamento é desastroso e incompleto. Diante deste quadro, o leitor disléxico necessita muito mais tempo e contato com uma palavra impressa, a fim de que a representação da mesma seja clara e fiel ao que está escrito. Esses leitores dependerão muito do contexto, para chegar ao significado e apreensão da palavra. Material de leitura que lhe traga interesse e significado será mais atrativo a esse leitor ao invés de ser repelido ou ter quem desempenhe a tarefa por ele, criando um abismo entre a sua dificuldade real e a sua possibilidade de aprendizado num tempo diferente.

Na atuação pedagógica, o professor deverá orientar e instruir o aluno, dando dicas simples e específicas de como executar determinado exercício, certificar-se que ele entendeu as instruções dadas (se forem escritas, verificar se o aluno consegue ler e compreender o enunciado, caso seja negativo o professor deverá ler para ele). Não permitir que os colegas o humilhem ou rejeitem por conta de suas dificuldades, evitar pedir ao aluno que leia em voz alta, valorizar suas conquistas, apoiando e favorecendo, sempre que possível, estratégias lúdicas que auxiliem sua aprendizagem, além de utilizar recursos audiovisuais (computador, jogos, gravador, principalmente imagens), pois tudo isso faz parte de estratégias pedagógicas para alunos com dificuldade de aprendizagem, independente de deficiência, e não necessita de legislação para determinar a prática, apenas de atitudes inclusivas da escola.

A legislação existente a nível educacional não é específica para a dislexia ou dificuldades de aprendizagem, referindo-se apenas à inclusão escolar como um direito de qualquer cidadão, portanto é necessário que a escola promova flexibilizações e adaptações curriculares, que considerem o significado prático e instrumental dos conteúdos básicos, metodologias de ensino e recursos didáticos diferenciados e processos de avaliação adequados ao desenvolvimento dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, em consonância com o projeto pedagógico da escola.

Considerando que não há legislação específica sobre o assunto, tampouco norma legal que obrigue a escola a contratar um leitor para estes alunos, e considerando que os motivos já expostos não indicam essa como a melhor saída para o pleno desenvolvimento do aluno, sugerimos que o aluno seja incluído em atendimento psicológico, e que a escola seja solicitada a apresentar um plano de trabalho que contemple as necessidades específicas do aluno, garantindo sua inclusão e respeitando seu tempo de aprendizagem.

Em tempo, a política atual do MEC destaca o apoio aos escolares com deficiências física, auditiva, visual, intelectual, transtorno global do desenvolvimento (distúrbio do espectro do autismo) e altas habilidades. No entanto, o grupo de crianças com TDAH e Dislexia não está contemplado nesta resolução que especifica o público alvo do Atendimento Educacional Especializado.

Leia o artigo todo aqui: http://goo.gl/J1sxuE

Tive o prazer de conhecer uma estudante universitária talentosa, Gleici Keli Soares, que escreve artigos e poesias com brilhantismo e que vem derrubando todas as barreiras e mostrado que é possível superar as dificuldades apresentadas acima, ainda que para isso a luta maior seja o de conscientizar e aguardar que o desconhecimento e o preconceito das pessoas, muitas delas, dentro da própria sala de aula num curso de pedagogia, seja no banco de estudante sonhando ser um EDUCADOR ou do outro lado, já com esse título, acorde e seja, de fato, o agente transformador dessa educação inclusiva que queremos e merecemos!

Seguem alguns relatos seus:

Sou portadora de Dislexia/TDAH e tenho dificuldade com textos longos e determinadas perguntas, provas de consulta pra mim é um terror, leio varias vezes e minhas notas não são a esperada, muitas vezes me atrapalho nas provas de alternativa mesmo sabendo a resposta exata.

Quando uma pergunta é muito longa na prova, às vezes, entendo errado e mesmo sabendo a resposta, tudo porque o método não é adequado e as faculdades não fazem tanto para te ajudar, talvez porque também foram ensinados assim.

Claro que muitos acreditam que Dislexia/TDAH é “frescura”, mas é algo muito sério, por exemplo, em uma aula, muitas vezes, estou olhando para o professor mais viajando no mundo da lua, outrora desvio atenção por detalhes, outra escuto a aula, mas a memória imediata é prejudicada, então esqueço tudo rapidamente. Acabo estudando em casa via vídeo aula.

Várias vezes pedi indicação de vídeos das matérias estudadas aos professores que nunca me mandaram, até que dado momento desisti, sempre tive que se virar sozinha.

Não posso generalizar até tem professores bons, mas muitas vezes despreparados que não sabem lidar com a situação e tais métodos, alguns tentam do modo deles.

Às vezes fico estressada para fazer um trabalho que leio trilhões de vezes e acabo levando mais tempo a fazer que o esperado, as pessoas a volta não entendem meu tempo, então criticam e não entendem que temos que ouvir um vídeo varias vezes, mesmo tomando metilfenidato  não é 100%, ou seja, você esta assistindo ao vídeo, de repente se desvia com os próprios pensamentos, e necessita repetir varias, portanto, então leva o dobro do tempo estudando.

Você até tenta se organizar e às vezes as pessoas não percebem, compra agenda e etc, então você esquece agenda, perde apostilas, copia matéria no lugar errado, deixa trabalhos para ultimo momento se perde no tempo, em dois meses fui capaz de perder quatro pendrives. Em seis meses consegui derrubar o celular duas vezes na água e coloquei na geladeira, tudo pela desatenção, sou desajeitada com as coisas, derrubo, perco e assim vai.

Acredito no meu potencial, não me acho burra, sou demasiadamente criativa, existem coisas que apreendo sozinha e me sobressaio em relação a muitos, mas existem outras que são desgastantes, como estudar e ficar em uma sala de aula.

Algum tempo atrás abandonei um curso de teologia, amava o curso, mas estava deprimindo, melhor estava deprimida, ansiosa e demasiadamente desgastada, pois não conseguia ler as apostilas, as aulas eram de leituras e não prendia, acabava voando nos pensamentos. As provas eram complicadas os métodos não atendiam á minha necessidade de aprendizagem. Então quando chegava à sala de aula dizia a mim mesma vou prestar atenção, mas dado momento dava conta que estava no fim da aula e não conseguia, a vontade era imensa de chorar e que o tempo ali era perdido. Não queria apenas ter um diploma e sim aprender.

Certo dia esqueci uma apostila em casa, o professor deu um sermão de 30 minutos, dizendo que era irresponsabilidade e falou muitas outras coisas, até pensei em sair da aula, fiquei bem chateada, mas prossegui.

Num outro fui apresentar um trabalho que havia preparado os slides e era em grupo, ensinei algumas partes as meninas, inclusive não faço leitura em público, às vezes leio errado e não entendo nada de imediato, então explico.

Quando fui explicar minha parte me perdi e não sabia o que tinha falado e o que iria falar, pedi desculpa e recomecei, algo muito comum em TDAH, achei que a professora tinha entendido, mas na hora da nota as outras tiveram nota superior que a minha, fiquei chateada, fiquei quieta, vi que não compensa a todo momento lembrar as pessoas tenho um transtorno.

Não podemos apagar o passado, mas olhar de modo diferente, mas me pergunto até quando as pessoas ainda vão tratar as outras com indiferença ou olhá-las pelas suas incapacidades e não por aquilo que elas têm de melhor e são capazes.

Eu me recuperei de alguns traumas de escola, familiares e etc. Mas quantos ainda passarão por isso e serão desrespeitados???

Não sei se ainda tenho dislexia, meu psiquiatra atual disse para aguardar e tomar ritalina primeiro para verificar se alguns sintomas continuam, disse que já tratou pacientes com esse medicamento e a dislexia sumiu, pois o tdah era elevado e a pessoa por falta de atenção pulava partes, comia letras e pulava de assuntos mesmo na escrita. Mas no meu caso minha dificuldade é acentuar, conjugar, pontuar e algumas palavras, hoje Word me ajuda muito ele conjuga, entender textos de imediato, pois tenho que ler várias vezes,  acentua e etc.”.

Escutei um professor dizer que inclusão não era você aplicar um método de prova diferente, mas provas iguais para todos, que pais vão a escola reclamar e falar de tais assuntos, mas ele como diretor e professor nega os pedidos de provas diferenciadas.

Falar isso num curso de pedagogia, já molda os futuros educadores a saírem com o pensamento formado e preconceituoso, acreditando ser daquela maneira e com certeza agindo assim em dias futuros e prejudicando muitas crianças.

Sabemos que pessoas com dislexia vai mal em uma prova escrita, mas em oral ela é capaz de tirar notas excelentes, mas caso o método não seja aplicado e as notas inferiores ao esperado pelo aluno, pela escola e até mesmo pela nossa sociedade, com certeza ele enfrentará barreiras, seu aspecto psicológico será prejudicado, sentirá ser um incapaz e fracassado, futuramente abandonará os estudos e estará fadado ao insucesso!!  Gleici Keli Soares

A GENTE QUER TANTO

Nós dedicamos incansavelmente para entendermos e alcançarmos os demais.

Lemos e relemos várias vezes e as letras se transformam e o P vira B.

E outras letras também se invertem e parecem com palavras parecidas.

Interpretamos e respondemos erroneamente por desvio de atenção.

Ou simplesmente por compreender de forma diferente e inexplicável.

Escrevemos e reescrevemos várias vezes para decorar e não esquecer.

Associamos palavras de forma concreta e diferente de todos a nossa volta.

Atingimos a perfeição aos nossos olhos e sentimos que estamos ótimos.

Mas mesmo assim erramos e somos reprovados e taxados por palavras pejorativas.

Comemos letras, acrescentamos ou simplesmente apagamos do cotidiano.

Não respeitamos as pontuações e conjugações e nem achamos elas necessárias.

Repetimos e trocamos palavras e acreditamos ser assim, vemos tudo diferente.

Confundimos os lados e direita vira esquerda e embaixo vira para cima.

Se perdermos em sequencias e enfileiramos ao avesso ou esquecemos detalhes.

O tempo é algo continuo e difícil acompanhar, os dias viram meses e anos dias.

Por um deslize chegamos atrasados, perdemos compromissos e somos considerados irresponsáveis.

Palavras e acentos somem e procuramos outras para encaixar e nos comunicar.

Não acertamos tudo e nem erramos tudo, mas criamos e caminhamos e nos descobrimos.

Somos um cérebro tão igual, perfeito e tão descontrolado um relógio invertido.

Confundimos nomes, pessoas, objetos e figuras geométricas.

Não concluímos tudo, mas muitas coisas vão além das descobertas.

Somos sensações, sentimentos, gente como muita gente.

Um e mais alguns que compõem o mundo, rejeitados e incompreendidos.

Pessoas que tem dislexia e que tem um funcionamento diferente de ser.

Gleici Keli Soares

 

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Gleici Keli Soares nasceu em Curitiba, Paraná, em 12 de novembro de 1982, mas vive no interior de São Paulo, na cidade de Sumaré. Começou a escrever aos 17 anos de idade, sua primeira poesia foi o tema “Identidade”. Participou de sites de cirandas de poetas e o site de amor em verso e prosa ministrado pela escritora Tere Penhabe. Estudante do 1 ano de Pedagogia

Leia mais: Conceito de dislexia – O que é, Definição e Significado http://conceito.de/dislexia#ixzz374rfqTKZ

Enviado por:

Rosana   Rosana Rossato

É psicóloga e mestre em psicologia da educação.  Com 30 anos de experiência nas áreas clínica e educacional, atua na educação superior.

41 thoughts on “DISLEXIA

  1. Mais um canal na luta contra a desigualdade – parabéns, excelente iniciativa.

    Um mundo para todos…

    Abraço.

  2. Um dia ainda vivenciaremos a educação inclusiva que todos merecem! Abraço, Pete.

  3. As faculdades parecem não entender a ideia de equipe multidisciplinar, apesar de, conforme se afirmou, ser tão necessária em casos de dislexia. E, paradas no tempo, pelo menos algumas destas instituições, formam profissionais que engrossarão o caldo de despreparados e não saberão lidar com esse tipo de problema em sala de aula. A exceção fica por conta daqueles que se incomodam e buscam por si mesmos outras respostas, como faz, guerreiramente a própria Gleici. O Estado, por sua vez, segue fechando salas de apoio alegando suposta falta de demanda… É muito triste, pois a curto prazo as perspectivas são pouco otimistas, infelizmente. É claro que há profissionais sérios e com resultados positivos, mas estes precisam sair do modo “exceção” para se tornarem práticas cotidianas.

  4. Caros, faltou dizer: artigos assim, sérios e esclarecedores, são uma ótima iniciativa para sairmos da escuridão pedagógica!

  5. Infelizmente a realidade nem sempre é o que a mídia nos coloca e sim essa que todos devem saber, Obrigada Rosana pelo carinho… Beijos

  6. Obrigada você pelo belíssimo depoimento e exemplo de superação! Espero poder publicar muitas outras poesias suas, todas belíssimas!!

  7. Ótimo texto e muito esclarecedor!!!!!!!!!!!!! Parabéns!!!!!!!!!!! Vou compartilhar na página que administro: Autismo – Meu Filho, Seu Mundo! 😉

  8. Obrigada, Estela! Vamos continuar trazendo temas que fazem parte do nosso cotidiano escolar, mas que ainda necessitam de muitos esclarecimentos e quebras de paradigmas!! Abraços.

  9. Obrigada, Josie! Convido-a a conhecer os outros temas do blog e a nos contemplar com suas publicações também, em “Filhos + que especiais”, temos grande admiração pelo seu trabalho em prol da conscientação do Autismo! Abraços

  10. Lembro-me com carinho do filme “Como estrelas na terra” e ouso dizer q assim como àquele menino foi trabalhado por àquele profissional de verdade, que tinha em si uma característica peculiar, o “dom” de observar antes de tentar ensinar alguma coisa. E é exatamente isso que os professores deveriam fazer, pois, tendo uma sala heterogênea e deveriam lembrar que o “entender” também o é.
    Tive um aluno assim e quando estávamos conseguindo fazer algo por ele, a mãe conseguiu um laudo de dislexia e simplesmente disse que não queria ninguém “forçando” o filho dela a nada, pois, sabia que não adiantaria….ele retrocedeu e entrou na onda da mãe de que não precisava mais
    Me entristeci muito com tudo isso mas não mudei a minha maneira de pensar. “só temos q encontrar o jeito adequado deles entenderem” e daí pra frente é só incentivar cada dia e cada vez mais.

  11. Às vezes, Eliane, a frustração acompanha o nosso trabalho. Mas atua na nossa área somente profissionais com a sua postura, de persistência e crença no que faz, aliada à técnica, ao profissionalismo de responsalidade. Por isso, parabéns, continue com a mesma conduta, fazendo a sua parte, pq eu ñ tenho dúvida, para cada situação que há parceria com a família, outras dez são de sucesso, e fazemos a diferença!!!!!

  12. obrigada, com certeza estou aqui para lutar não só por mim, mas por todos

  13. Oi Eliane, esse filme é marcante, assisti ele 3 vezes, lembra muito minha vida no passado. bjus

  14. Oi Estela, verdade precisamos de artigos assim que esclareçam as coisas e não seja tão profissional, mas verdadeiro e q todos compreendam que falta em nosso meio

  15. Obrigada a todos pelos comentarios, RO pelo carrinho, abraço a todos.

  16. Excelente texto! Realmente esclarecedo. Obrigada por postá-lo.

  17. Excelente texto! Realmente esclarecedor. Obrigada por postá-lo.

  18. PETE OBRIGADA, COM CERTEZA NO Q PRECISAR EIS AQUI

  19. jOSIE OBRIGADA PELO COMENTARIO, VOU CURTIR SUA PAGINA, BJUSSSSS

  20. Com certeza com ajuda da Ro ficou bem esclarecedor, obrigada fLAVIA, OBRIGADA RO AMU TU BJUS

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