HIDEKAZU E O REINO DOS GATOS

Hidekazu e O Reino dos Gatos

 

Na antiga Pérsia, havia um menino chamado Hidekazu Kataiama que vivia solitário e pouco interagia com seus amigos no orfanato. Vivia fazendo travessuras e dava trabalho para todos os funcionários.

Ao completar seis anos, Hidekazu aprontava como sempre, e a diretora não apenas chamou a sua atenção, mas também o isolou num porão, que ficava em um andar abaixo do prédio do orfanato.

Foi então que Hidekazu sonhou com um reino diferente dos outros. Ele ouvia falar do Reino dos Céus por sua supervisora, como era de costume, e viu em seu sonho um castelo muito grande, repleto de gatos que se prostravam e cantavam, porém, não via o rei, pois ainda estava próximo aos umbrais das portas.

Via ruas de ouro, muros de cristal e safira e também uma grande árvore no meio do jardim. Hidekazu via gatos com vestes brancas como a neve, eram sete diante do trono.

Quando Hidekazu se aproximou, os umbrais das portas de moveram e abriram os portões do castelo. De repente, ele se deparou com o grande trono branco, em um salão enorme e havia só gatos cantando e dançando, mas ele continuava não vendo o rei, apenas os gatos.

Ao olhar para o trono, Hidekazu via uma luz imensa, iluminando o salão, era mais forte que o sol, mas não conseguia identificar os traços daquele rei. No entanto, ao olhar para os gatos, desejava pegar um para levá-lo embora, pois amava gatos. Porém os gatos que ele via eram diferentes dos gatos que ele acostumava ver.

Os gatos eram todos brancos como uma neve, não havia nenhum gato de outra cor, e o mais estranho era que eles cantavam ao invés de miar, os gatos tinham vozes humanas.

Seus olhos eram amarelos lembrando ”chamas de fogo” e todos eram semelhantes, embora diferentes de outras espécies de gatos.

Ao perceber que estava sozinho Hidekazu decidiu ver quem estava fora do castelo dos gatos. Quando se aproximou, lá estava sua amiga Shimada, pegando frutos de outras árvores do jardim.

Hidekazu decidiu conversar com Shimada e perguntou a ela:

– Quem são aqueles gatos? E por que não vejo o seu rei?

Respondeu Shimada:

– Estes gatos na verdade não são gatos! O que você viu são os animais que estão aguardando os santos que irão morar aqui por toda a eternidade. O rei é o próprio Deus, por isso ninguém o verá até a sua ordem divina.

Hidekazu entendeu que não estava no Reino dos Gatos, mas estava no Reino dos Céus. Então falou com Shimada:

– Pensei que se tratava do reino dos gatos, até entendo o porquê de não ver nenhum rei, apenas uma luz imensa que mal dá pra suportar olhar para ela, apenas vi um trono branco. E esta árvore que está no meio do jardim?

Shimada explicou:

– Esta árvore também está esperando os santos, é a árvore da vida. Quem comer do seu fruto viverá para sempre!

Então Hidekazu despertou do sono e chorou por quase duas horas seguidas, até que a supervisora fosse para o porão de seu orfanato e atendesse o menino.

Após entrar no porão, a supervisora do orfanato perguntou a Hidekazu:

– Por que você esta chorando como um bebê?

Hidekazu não suportou olhar para a supervisora, pois a dor falava mais alto.

Aquilo chocou todos do orfanato, pois nunca tinham visto o menino tão diferente quanto aquele dia. Quando Hidekazu estava se preparando para contar à supervisora o que realmente acontecera, os colegas rapidamente ficaram também curiosos para saber o que houvera com Hidekazu. E quando souberam que ele sonhara com Deus em parábolas e simbologias, ficaram admirados e perplexos.

E não mais que de repente, Hidekazu se deparou com um gato branco na sala do orfanato e contou aos seus colegas que aquele gato era semelhante ao do sonho, só que seus olhos eram amarelos como fogo.

O gato estava com fome e decidiu miar. Aquilo aliviou Hidekazu, pois sabia que não estava mais sonhando. A supervisora do orfanato percebeu que o menino mudou de comportamento após sonhar com o Reino dos Gatos.

Hidekazu cresceu com aquilo maquinando na mente. O que chamou atenção foi o fato de que ele não viu o rei e não percebeu seus traços. Logo contou a supervisora sobre este fenômeno que chamou a sua atenção.

Após esse episódio, a supervisora começou a entender o porquê de tantas simbologias e decidiu ler os livros que estavam expostos na biblioteca. Então achou um livro que foi escrito por um adolescente de 16 anos que criou os personagens e colocou o título de “Reino dos Gatos e suas Simbologias”.

Decidiu ler o livro e contar a Hidekazu de que sonho se tratava. E por incrível que pareça, quando Hidekazu ouviu a supervisora ler aquele livro, logo relembrou daquele sonho, até da personagem de Shimada sendo citada nas suas páginas.

Porém, o livro escrito por si, não era suficiente para entender a complexidade daquelas simbologias, então, a supervisora do orfanato foi chamar Isadora para levar Hidekazu ao interpretador de sonhos.

Ao chegar lá, este decifrou todas aquelas simbologias de uma vez só, assim que ouviu todo o depoimento do menino.

Então Hidekazu começou a entender do que se tratava aquele sonho. E, finalmente, disse aos seus colegas:

– Os gatos representavam os anjos, pois eram mansos como são os anjos que habitam no céu. A cor branca representa a paz, a santidade e a pureza diante de Deus. A árvore que estava no meio do jardim, era a árvore da vida e aquele reino sonhado na verdade estava referindo-se ao Reino de Deus, é justamente por isso que não havia nenhum traço do rei, apenas a contemplação da sua glória.

Hidekazu decidiu publicar um livro e um pouco das suas histórias. Seus depoimentos escritos passaram a ajudar muitas pessoas a compreenderem os mistérios do Reino dos Gatos.

Aquele livro foi se popularizando pelos municípios da antiga Pérsia e chamou a atenção de grandes poetas e escritores influentes e renomados da época. O mundo decidiu conhecer Hidekazu, um jovem que quando criança sonhou com o Reino dos Gatos.

Seus relatos também foram escritos por outro escritor, porém, com situações diferentes, pois este também sonhou com a árvore da vida e via apenas o brilho no salão, muito resplandecente.

O tempo passou e o jovem ganhou uma namorada e preparou-se para deixar o orfanato. Tanto a supervisora quanto a diretora ficaram surpresas com a popularização do livro de Hidekazu, pois não imaginavam que aquele menino que deu muito trabalho se tornaria tão importante diante de grandes poetas e escritores.

A felicidade tomou conta daquele orfanato, então Hidekazu casou-se e assumiu a diretoria do orfanato anos depois!

Leonardo Ricardo dos Santos

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