INCLUSÃO X HIPERFOCO

INCLUSÃO X HIPERFOCO

Quando se trata de incluir uma criança autista em escolas regulares, nem sempre é uma tarefa fácil. Colocá-la dentro da instituição de ensino não é sinônimo de mante-la por lá, o autista tem o seu próprio mundo na sua mente e ela é distinta em relação à mente neurotípica. A incompreensão por parte de colegas de classe surge quando o autista aborda assuntos de interesses distintos e tudo se torna complexado pelo universo escolar.

Pedagogos terão que ficar atentos ao comportamento das crianças autistas, principalmente quando se trata de hiperfoco. O autista vive em um mundo complexo, repleto de assuntos distintos, o que gera incompreensão por parte de colegas, principalmente se esses assuntos forem repetitivamente abordados, gerando ainda mais incômodo ao universo escolar.

O hiperfoco ajuda o autista a surpreender o universo escolar, desde que o estímulo seja respondido de forma positiva. Às vezes o autista quer se comunicar com colegas, porém dependendo da resposta deles surge ao autista um sentimento de rejeição, tornando-o complexado.

Para a criança desenvolver suas habilidades é necessário ouvi-la sem reclamar, pois se disser a ela que é repetitiva, no mesmo instante, seus talentos serão sufocados e a levará a um possível isolamento, ao mundo dela. A criança logo terá medo de tirar dúvidas com professores, além de atrapalhar ainda mais a socialização e a inclusão aumentando ainda mais essa barreira, um desafio para o universo.

Se a criança tem habilidades para criar histórias, ajude-a a separar as coisas, a fim de que o amadurecimento social ocorra e a inclusão surta efeito com sucesso. Nem todas as crianças autistas gostam de exigências, o mundo dela precisa ser estimulado pelo universo.

Quando a criança tem hipersensibilidade auditiva, professores deverão ficar atentos a isso. O mundo do autista é bastante complexo, a adaptação ao ambiente escolar dependerá de vários fatores, inclusive quando se trata de sons altos, agudos ou graves. Existem crianças autistas que preferem o silêncio para conseguir manter o foco nas lições exigidas pelo professor. Se a criança tiver hipersensibilidade auditiva, a criança terá dificuldades para se concentrar além do cérebro processar várias informações ao mesmo tempo e a deixar perdida em relação a vários estímulos que respondem ao mesmo tempo.

Quando houver estereotipias, lembre-se que há vários motivos para a criança usar este método. O professor jamais deve dar broncas, porém é preciso ter uma boa conversa, para tranquilizar a alma, após isso, os estímulos serão respondidos e a mente da criança ficará em ordem.

Existem crianças autistas que gostam de inventar histórias, gostam de elaborar redações, gostam até de tocar instrumentos musicais em períodos recreativos.

O olhar fixo para um só criança pode ser um desafio. Se ela não consegue fixar o olhar, existem várias razões para que isso ocorra. Pode sentir insegurança ao se comunicar com professores e colegas da mesma idade, às vezes a comunicação reduzida por parte de colegas, atrapalha e muito a socialização, gerando bloqueios e redução do contato visual.

No autista, o contato visual depende da estimulação do universo, se não houver uma comunicação franca por parte dos colegas, o contato visual não responderá adequadamente, ficando mais difícil ainda a inclusão.

A escrita é algo em que o professor deverá ter cautela. O mundo do autista nem sempre vai se adaptar de primeira à escrita em letras cursivas. Os professores terão que manter a sala, no mínimo, em silêncio, para que a letra da criança seja mais legível possível.  A criança gosta de desenhar? A arte faz parte do hiperfoco de muitos autistas. Desenhos saem da mente do autista e sempre trás uma mensagem aos professores. Cada forma que é criada pode representar um dos sentimentos, que nem sempre são explicados pela criança e pelo adolescente…

O autista tem dificuldade em contar para o professor o que ocorreu durante as aulas? O professor deverá ter paciência, pois nem sempre o mundo da criança está aberto, principalmente quando se trata de processo de socialização. Depende da questão de tempo e sua experiência, necessitando de confiança por parte dela. Quando a criança se sente segura ao ambiente escolar ela é capaz de contar ao professor o que ocorreu com ela durante as aulas, até mesmo tirar suas dúvidas no momento certo.

A criança autista ainda está em processo de amadurecimento social e inclusiva, para alguns casos ainda pode demorar, para outros, o processo pode ser ainda mais rápido, antes do esperado, o que vale mesmo é o amadurecimento da criança.

    Leonardo Ricardo

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