Lindaura Monteiro

No dia 16 de julho de 1961 nasceu uma linda menina. Morava em uma favela da região nordeste do país. Filha do carpinteiro João Monteiro, Lindaura era portadora da Síndrome de Down.

Era desprezada pela sociedade, pois era conhecida como uma garota deficiente e incapaz. O médico que a diagnosticou nos primeiros meses de vida, disse ao seu João que a paciente não iria sobreviver, apenas vegetaria, e assim foi condenada à morte.

Mas Lindaura superou as expectativas e desafiou a medicina. Aos sete anos foi a única que estudou em uma escola regular, devido a facilidade para aprender a ler e a escrever. Maria Monteiro como era conhecida por colegas, era a mais amada pela turma.

“É raro encontramos uma figura como esta em uma escola, além disso, superou as expectativas e desafiou a medicina e a psicologia”. Dizia a professora de Lindaura.

Aos 14 anos, criou por conta própria bons poemas que refletiam em sua vida. Seus poemas eram lidos por um professor de literatura e pelos colegas de classe. ”O poeta interior supera tudo, aprende pelo sofrimento a produzir melhores poemas e os mesmos são reconhecidos pelo mundo”. Afirmava Lindaura ao amigo em que mais confiava.

Em 1981, publicou o primeiro livro repleto de poemas e crônicas. Foi surpreendendo psicólogos e médicos de todo o país. Lindaura desejava não apenas ser uma poetisa, desejava crescer na vida e inaugurar a própria editora.

Uma das melhores poesias criadas por Lindaura chocou o mundo, pois não sabiam os leitores que era uma Down. Os poemas eram profundos e divinos, os melhores da história da literatura.

”O poeta interior sabe inspirar o mundo”. Dizia Lindaura em seu discurso.

Em 1994, Lindaura ganhou o prêmio nobel, mostrando ao mundo que não importa ser Down, o que importa é ser talentoso e inspirar o mundo.

Lindaura não se vê como uma Down em suas palestras se vê como uma poetisa interior que se inspira ao mundo, como uma luz brilhando em sua mente para produzir ideias.

Todos os leitores dos livros de Lindaura Monteiro ficavam surpreendidos com a tamanha inspiração e grandeza. Cada frase era forte demais para descrever as ideias de uma Down. Em 1996, Lindaura foi chamada por uma psicóloga para fazer uma entrevista, juntamente com a avaliação intelectual. Suas respostas superaram as expectativas da psicóloga, pois ao vê-la ela acreditava que era impossível uma Down ser uma escritora e poeta influente.

Durante a entrevista com sua psicóloga, Lindaura trouxe ao consultório três melhores livros seus, para sua psicóloga poder levá-los para a casa, ”Lindaura é um exemplo para outros Down’s”, dizia a psicóloga, surpreendida e feliz da vida.

Os garotos com a mesma condição de Lindaura gostariam de conhecer o seu trabalho e quem deles sabe ler, gostaria de ler sua história de vida, que foi publicada em um dos livros.

Em 2000, Lindaura tornou-se professora e dedicou sua vida às universidades. Seu prazer era dar aula e despertar o poeta interior que ela tinha ao usar a mente como um instrumento poderoso.

Em 2002, Lindaura sofreu de um ataque fulminante que a levou à morte. Uma fase triste para seus sobrinhos, que desde sua infância, liam os primeiros livros da tia.

”Lindaura se foi, mas deixou um grande exemplo para nós hoje. Pretendo continuar o que aprendi sobre o poeta interior e que suas poesias permaneçam conhecidas em cada geração”. Dizia um velho amigo de Lindaura.

– Baseado em fato real

 

Leonardo Ricardo

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