Mãe: ser ou não ser?

Ainda é mês de maio. Então, por que não publicar mais uma reflexão sobre ser mãe?! Tenho ouvido cada vez mais mulheres falarem que não sabem se querem ser mães; outras têm certeza que não. Aquelas que se aventuram encontram uma realidade muito diferente… da que nossas mães e avós encontraram e nem sempre podem criar seus filhos como idealizavam. Enfim, as dúvidas acerca da maternidade são inúmeras e todas elas perpassam as reflexões daquelas que pensam em ser mães. De uma forma ou de outra, a pergunta que insiste em nos perseguir é: dá pra ser mãe hoje em dia????

Pois é, século XXI, tanta tecnologia, acesso à informação rápido e fácil, escolas, berçários, creches públicas, 6 meses de licença maternidade…tudo parece favorecer a decisão. Mas as coisas não são simples assim, não é mesmo?!? Ter um filho é uma responsabilidade muito grande e decidir tê-lo exige muita reflexão dos pretendentes a pais. Sim, porque o mundo não anda tão belo assim. Há muita violência, desonestidade, desigualdade e por aí vai…mas eu sou daquelas que pensa que isso sempre existiu (mesmo que em proporções diferentes) e não dá pra consertar o mundo antes de ser mãe! O filho chega nesse mundo mesmo e é aqui que a gente tem que educa-lo.

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Chegamos, então, a outro nó da questão: a educação dos filhos. Mas esse é um nó bem grande, vamos deixar para desatá-lo num outro dia…Deixemos também o mundo complicado de lado – já que ele precisa de todos nós, muito empenho e tempo para melhorar – e voltemos ao ser ou não ser mãe.

Para além das questões externas e mundanas, muitas mulheres se preocupam com as mudanças em sua própria vida. Sim, hoje as mulheres estão tendo filho mais velhas; investem mais na carreira; querem uma situação financeira mais estável antes de serem mães. Quando alcançam certo equilíbrio e liberdade, já se questionam se querem mesmo abrir mão de tudo isso. “Poxa, não vou poder viajar tão cedo.”; “Os chopinhos no final da tarde ou as festas de fim de semana vão se espaçar – pra não dizer, acabar!”; “A dedicação exclusiva ao maridão – e do maridão – também fica de lado.”; “Suei tanto pra perder aqueles quilinhos e agora vou tê-los de volta?”; e seguem-se as questões, muitas e mais algumas ainda, questões infinitas.

Outras mulheres acham egoísmo pensar assim. Elas não se questionam tais coisas. Que bom pra elas! Mas para quem se questiona, isso parece um mar…de espinhos!

A verdade é que egoístas ou não, uma gravidez planejada é sempre repleta de muitos questionamentos e, feliz ou infelizmente, não existem respostas certas. Existe o certo para cada um; a verdade de cada um; o tempo, espaço e desejo de cada um.

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Eu pensei em tudo isso, nas coisas mundanas e na parte “egoísta” também e, para mim, o mais complicado foi “perder o chão” quando o bebê chegou. Todo o resto já estava resolvido, mas não ter mais o controle do meu tempo, do meu dia, do tempo para as minhas necessidades básicas, de não poder suprir minhas vontades quando surgiam, isso foi o mais difícil. Um caos!

Mas como disse outro dia, o caos passa e as coisas se ajeitam. A gente se adapta…e muito…é verdade! Tudo dá certo. Eu decidi ser mãe e, sinceramente, foi a maior e melhor decisão da minha vida, mesmo tendo ficado sem chão por um tempo, mesmo sabendo que muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte, enfim…a minha decisão foi árdua, levou anos para amadurecer – embora sempre quisesse ser mãe, meu lado “egoísta” estava bem desenvolvido! – e a gravidez mudou demais a minha vida: ainda mais atenção com a alimentação, cuidados com produtos e cosméticos, nada de álcool, calças com elástico na cintura, batas, saltos mais baixos, sono, sede, fome, muita fome…tudo mudou desde o começo (e acho que nunca mais será igual), mas valeu. Pra mim, valeu.

E você, já é mãe? Tá esperando? Ou ainda vive aquela fase dos inúmeros questionamentos? Sabe, não importa. Pense em você, na sua vida, no que, de fato, faz importância e, quando chegar a hora, a decisão estará tomada. Você vai ver…

Bom, agora tenho que ir, meu pequeno está tagarelando no berço…acordou e quer atenção…no tempo dele, do jeito dele, tudo para ele…e a gente acha lindo! Coisa de mãe…

Abraço no coração.

Reveillon (14)  Ana Carolina

Ana Carolina R. Marangon é casada e mãe de um bebê de 4 meses; é Pedagoga e Mestre em Educação Escolar  pela Unesp; Doutora em Educação pela Usp e adora pensar a infância.

  *Texto e informações são de responsabilidade da parceira do blog.

24 thoughts on “Mãe: ser ou não ser?

  1. Cada artigo me delicio com as reflexões. Adorei principalmente quando ser mãe significa a realização de um sonho…..

  2. Olá, Hélide! Fico feliz que tenha gostado…e estou certa que vai amar a chegada do seu bebê!
    Um abraço,

  3. Ler esse texto me fez lembrar de tudo que passei até tomar a decisão de ser mãe, foi sem dúvida a melhor decisão que tomei em minha vida. É difícil a gente não ter mais controle do nosso tempo, mas no final tudo dá certo. Parabéns pelo bebê e pelo texto adorei ! Beijo

  4. Obrigada, Ariadne! Fico feliz que tenha gostado do texto. É um relato do que senti na pele. Mas como vc mesma disse, no final, tudo dá certo. Comigo, tem dado…beijo.

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