Minha 4ª gestação

A maior graça que uma mulher pode receber é ser mãe e sou grata a Deus por ter me concedido os filhos que tenho hoje.

Antes de me casar, meus filhos já tinham nomes, João Paulo e Mariana, escolhidos em conjunto com meu grande companheiro.

E assim se cumpriu. O João veio primeiro, quatro anos depois, outro filho de Deus passou por meu ventre, mas esse retornou ao colo do Altíssimo rapidamente. Perder um filho,…mesmo  no início da gestação, foi para mim um grande desconsolo.

Meses depois, fui agraciada com a gestação da minha Mari.

Filhos saudáveis, belos e muito amados.

Mas, nem sempre nossos planos são tão precisos…

Nove anos se passaram. Alegrias foram vividas e dificuldades superadas.

E numa bela noite de junho, após dias de dúvidas e desconfianças, o teste da farmácia resultou num grande e rápido POSITIVO.

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Atônitos, eu, meu marido e meus filhos, ficamos em silêncio por algumas horas e fomos até um pronto socorro para fazer o exame de sangue e, lógico,  o exame da farmácia foi altamente eficaz, embora tínhamos dúvidas.

No retorno do hospital, ainda atordoados com a notícia, compramos esfihas e só as crianças comeram…estávamos em choque!

Mesmo sabendo da avalanche de alegrias que nos dá um filho, vacilei na fé, na providência, afinal eram anos difíceis financeiramente, e na própria essência da maternidade.

Chorei muito, amedrontada pelo fato de não ser mais uma mocinha, por ter o fator RH negativo, por não ter dinheiro e por não ter disposição. Confesso que o egoísmo tomou conta de mim por alguns meses, não me enxergava mãe de três filhos, doadora integral de meu tempo, perderia minha liberdade de ir e vir, de viajar, de sair e voltar a qualquer hora,  que havia conquistado novamente depois que os filhos tinham crescido.

Com exceção dos abalos psicológicos, minha gravidez foi bem assistida e tranquila. Como nas demais gestações, nem enjoo eu tive. Tinha sim, dificuldades para respirar ao deitar, problema solucionado por alguns travesseiros a mais.

Gravidez tranquila, roupinhas arrumadas, família consolada e ansiosa para a chegada do novo bebê.

Então resolvemos tirar alguns dias de férias depois de consultar o médico. Fomos a Serra Negra, interior de São Paulo, lugar próximo de onde moro, pois já estava no  oitavo mês de gravidez. A esta altura, com dezessete quilos a mais, caminhava devagar, tomava uns seis banhos gelados por dia e dormia pouco por causa da falta de ar.

Tudo estava muito bem, meus filhos se esbaldaram na piscina do hotel, passeávamos pelas ruas tranquilas ao entardecer antes do nosso sorvete diário… tudo maravilhoso.

Porém, o fato que virou história estava por acontecer. Fomos a uma cidade vizinha, chamada Amparo a fim de encontrar um amigo e no retorno ao carro, me desequilibrei e cai sentada na guia alta que só cidades do interior tem. Senti meu pé adormecido e quando olhei, meu pé esquerdo estava totalmente fora da minha perna, uma cena horrível para mim e minha família que presenciava tudo. Com a demora do socorro, concordamos, eu e meu marido, em colocar o pé no lugar antes que o inchaço tomasse conta e o procedimento se tornasse ainda mais dolorido. Meu marido, com toda a firmeza que precisa ter um homem em uma situação difícil, colocou meu pé no lugar em uma só vez. As lágrimas desciam silenciosas pelo meu rosto, não podia assustar ainda mais minha família, enquanto a bebê pulava loucamente em meu ventre por causa da adrenalina.

O socorro veio depois de dez minutos eternos. No hospital, duas notícias, uma boa e o outra ruim, a boa era que a Malu estava bem e a ruim, que a cirurgia era inevitável.

Já em São Paulo, começamos a procura por hospital, não podia ser qualquer um, pois a cirurgia era de grande porte, além de eu estar grávida. Hospitais sem vagas, hospitais que não atendiam o convênio e eu com dores, sem poder andar e muito  cansada. Enfim, conseguimos internação para o dia seguinte, retornamos para casa para tentar dormir.

Como em um filme hollywoodiano, a sala de cirurgia tinha doze pessoas para o procedimento, minha maior preocupação era a Malu, não queria que a gravidez fosse interrompida.

Aproximadamente, três horas depois, acompanhando cada movimento dos profissionais (grávidas não devem ser adormecidas em procedimentos cirúrgicos segundo meu médico), pinos e placas no tornozelo, fomos para o quarto, eu e a Malu, essa, sã e salva na minha barriga! Já uma vitória!

Começava a jornada de dores, incômodos e total dependência da minha família. Foi muito difícil para mim que sempre agi de forma independente, precisar de ajuda para ir ao banheiro ou tomar banho. Foram dois meses de cadeiras de rodas sem colocar o pé no chão.

As dores eram um caso a parte, o médico havia me passado um remédio para dor mas advertiu-me que a medicação passava para o bebê e que deveria ser tomada somente em caso extremo. Resultado, tomei um comprimido no primeiro dia que fui para casa, nos outros dias, o Tylenol foi meu único, porém, não duradouro, alívio.

“Um dia de cada vez” era meu lema. Ficar em uma cadeira de rodas debilita o físico e o psicológico, haviam dias comuns e outros bastante difíceis cujos sentimentos eram guardados para não trazer maior transtorno…

Enfim, no início de fevereiro, ela nasceu; grande, ou melhor, enorme, a maior de todos os três, e absolutamente, linda!

É a alegria de todas as minhas manhãs, é a alegria de toda a minha família, não imaginamos a vida sem ela! Nosso presente surpresa!

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Espiritualmente falando, quebrar o tornozelo me trouxe à realidade que somos uma grande cadeia de ajuda mútua, que não somos ilhas e que há momentos na vida que é necessário aquietar-se. Aquietar o corpo e o coração, aceitar os desafios que a vida nos entrega, redimir-se, e superar a si mesmo.

A vinda da Maria Luiza nas nossas vidas é uma prova que Deus tem um plano para cada um de nós! Não importa o quanto não o entendamos, importa que somos parte dele, e o que nos é dado, cedo ou tarde, damos conta!!

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24 thoughts on “Minha 4ª gestação

  1. Querida Luciana!
    Não dizem que “Deus dá o frio conforme o cobertor!”? Às vezes a gente pensa que não vai aguentar o frio…
    Quanta coisa já aprendemos e quantas ainda por aprender, não é?
    “Gente não nasce pronta e vai se gastando (como um fogão, um sapato, uma geladeira); gente nasce não-pronta, e vai se fazendo. Eu, no ano em que estamos, sou a minha mais nova edição…” (Mario Sergio Cortella em “Não nascemos prontos!”)
    E, com alegria, posso afirmar que você está cada vez MELHOR!!!!!
    Estou aprendendo com você!
    Um abração!

  2. Obrigada!!! Suas palavras são uma injeção de ânimo!!!
    Beijos!!!

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