O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE INCLUSIVA

O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE INCLUSIVA

A educação Inclusiva no contexto atual está tendo grandes repercussões no sistema educacional, trazendo grandes desafios, como: vencer o preconceito que ainda está vigente nos dias atuais e também as dificuldades que as Escolas têm de superar em meio aos obstáculos existentes.

Na década de 70, criaram-se os pressupostos da educação Inclusiva, fundamentando vários programas e projetos na educação do Brasil, onde se tem hoje um olhar mais visório para as pessoas com necessidades especiais. Como há uma Lei N° 3124/97 que possibilita o Psicopedagogo a exercer sua prática afetiva, emocional e de aprendizagem e atribui-lhe um saber diversificado para que sua função seja concretizada e reconhecida como um profissional responsável e de valores riquíssimos. Assim, vale salientar que este documento ainda está nos trâmites do Congresso Nacional para ser aprovado.

Almeja-se neste artigo adquirir conhecimentos a respeito da educação inclusiva dentro do contexto familiar, social, educacional e profissional, nos direitos dos Portadores de Necessidades Especiais e Educacionais. Como também conhecer, pesquisar a intervenção da função valorativa e educativa do psicopedagogo em visão de solucionar problemas de aprendizagens do educando no âmbito escolar, propor condições e estrutura para que este profissional tenha condições, conhecimentos e apoio para resolver os problemas decorrentes nas instituições educacionais. Com a implantação de um grupo de apoio psico-sócio-familiar, em que o psicopedagogo realize o trabalho de investigar, analisar, diagnosticar problemas de aprendizagens e intervir para ajudar o discente em termos educacionais e afetivos.

Para falar de educação inclusiva, teremos que enfatizar o processo de inclusão social das pessoas de necessidades especiais que envolvem a concepção da sociedade, a estruturação física e perceptiva das escolas e do sistema educacional para assegurar os direitos de todas as pessoas de necessidades especiais e educacionais.

A inclusão deve ser repensada tanto na política educacional quanto social, e na prática, refletindo no conhecimento do dia-a-dia, na aprendizagem e na dificuldade, no comportamento, na construção dos saberes e na formação do indivíduo.

A inclusão de pessoas com deficiência na escola, no trabalho e no meio social em que vive está sendo tema de discussão na educação, na família, na política, nas entidades, como na sociedade vigente, ou que não seja uma realidade já resolvida, mas estamos lutando e vencendo problemas que na repercussão histórica da inclusão, já foram resolvidos. Pois, a educação, a saúde, os direitos e deveres das pessoas com necessidades especiais tenha sido motivo de inquietação e pouco interesse na aceitação política, social e educacional, tornando utópico o ideal de inclusão.

Sabe-se que a inclusão é o objetivo central da política educacional externa e interna, mesmo com as dificuldades de definições concretas, temos pontos de partida que dar sinal de versatilidade no campo da educação e da sociedade nos direitos humanos, que hoje, estamos lutando para que seja valorizado e concretizado numa sociedade em que deficiência tem uma proporção opressora e discriminadora, portanto, precisa remover essas concepções preconceituosas do convívio social e institucional, estrategicamente privando os humanos especiais do ensino-aprendizagem, da criação familiar, das amizades, ou seja, de uma vida social tido como “normais”, onde todos têm direitos e deveres e uma formação social, psicológica e profissional como rege os direitos humanos.

Neste contexto, é essencial a diferença entre educação inclusiva e educação especial. Em que a primeira é um movimento mundial que objetiva nos direitos humanos e de cidadania, com a reestruturação do sistema educacional, com a proposta de mudança no ensino regular, cujo objetivo é fazer com que a escola torne-se inclusiva, um espaço de alegria, de ensino-aprendizagem de qualidade, respeitando a igualdade e a diferença, propiciando a participação de todos os discentes vulneráveis às exclusões sociais e educacionais. A segunda é uma área de conhecimento que promove o desenvolvimento das potencialidades de pessoas com deficiências como: síndrome ou altas habilidades/superdotação, autismo, que abrange a educação infantil até a educação superior.

Na contemporaneidade, as mudanças de concepções culturais e socioeducativas estão sendo construídas através das experiências no cotidiano educacional e social na sociedade em que os pais já superaram seus próprios preconceitos, não escondendo mais seus filhos deficientes do mundo que eles podem entender e formar seu próprio conceito e autonomia.

Nos tempos atuais de diversidade cultural, social e escolar a educação teve progressão de pressupostos pedagógicos para que o ambiente educacional caminhe para um ensino-aprendizagem quantitativo e qualitativo para a amplitude do trabalho docente, com a soma de alguns profissionais, como, Fonoaudiólogo, Psicólogo e principalmente o Psicopedagogo. Profissionais de suma importância que tem engajado possibilidades, oferecendo condições para as crianças com dificuldades de aprendizagens escolar, ajudando-os a superar problemas existentes que dificulta o seu desenvolvimento educacional. Em que, a construção do conhecimento da criança é adquirida pelo sentido de estar bem consigo e com o meio vivencial, sua experiência comum pode refletir em sua aprendizagem, pois a genética desenvolvida através do meio, em contraste com o seu mundo escolar, pode acarretar problemas e essencialmente o psicopedagogo é importante neste momento para desmistificar a situação-problema em que vive o aluno, em que a experiência da criança depara com o contexto social e o ambiente escolar, dão-lhe significados especiais as suas informações para alicerçar a aprendizagem cotidiana.

Falar em diversidade é olhar para o nosso meio vivencial, nossa família, nossa escola, nossa sociedade em que estamos inseridos. Homens e mulheres, crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos, cada um com a sua diferença, mas não desiguais, pois a desigualdade se dar pelo preconceito daqueles que se auto afirma “melhor” ou “superior” ao seu próximo, em que o preconceito é mais do que o amor fraternal, pelo a pessoa que está ao seu lado. Pois a graça é que temos a diversificação mesmo no mundo moderno, com o processo de globalização que busca a universalização dos direitos humanos, através da comunicação, das manifestações culturais e sociais, devemos então lutar, persistir pela igualdade social para que haja menos discriminação. E como profissionais da educação e o apoio do psicopedagogo institucional, precisamos ser perseverantes, firmes, deixar o individualismo de lado e mostrar diante da sala de aula, o amor, a amizade, a solidariedade à humanidade, que todos somos iguais, como humanos e diferentes como pessoas, que cada um tem seu valor diferencial. E devemos aceitar e amar sem preconceito, tendo um olhar mais amplo principalmente para o Eu.

O trabalho do psicopedagogo abrange todo o ciclo vivencial do alunado, para que o objetivo seja alcançado na prevenção de orientar no processo de ensino-aprendizagem, favorecendo o conhecimento humano e sua evolução ao longo do processo de formação do indivíduo. No entanto, “a psicopedagogia ocupa-se, assim, de todo o contexto da aprendizagem, seja na área clínica, preventiva, assistencial, envolvendo elaboração teórica no sentido de relacionar os fatores envolvidos nesse ponto de convergência em que opera”. (BOSSA, 2000, p.30). Pois o psicopedagogo atua na intervenção de mediador entre o sujeito e sua história, ou seja, o trauma que causou as dificuldades de aprendizagens, no contexto familiar, escolar e social, em que o profissional deve tomar ciência da caracterização do problema, investigar, analisar, diagnosticar, interpretar e intervir para que o individuo reelabore, reconstrua sua história de vida, principalmente com os Portadores de Necessidades Especiais e Educacionais (PNEEs), que já trazem dificuldades tanto de aprendizagem, como social, devido a rotulação, a discriminação da sociedade, porque é diferente dos demais “normais”, e esquecem que são pessoas com sentimentos, seres humanos capazes de progredir, de avançar e construir seus próprios conhecimentos. Assim, o psicopedagogo busca ser um profissional multi especialista, capaz de ajudar nos problemas voltados para as dificuldades de aprendizagens, favorecendo também o conhecimento pelo ser humano criando um vínculo saudável e promovendo a diversidade familiar, cultural, social e educacional.

Para concretização favorável a educação das pessoas com deficiência nas escolas é necessário, como afirma a Revista Educação Especial, “… que as escolas se modifiquem para atender qualquer diversidade para acomodar todas as crianças independentes das condições sociais e culturais e suas características individuais”. (BRASIL, 2005, p. 27).

No contexto escolar, desde a Educação Infantil ao Ensino superior é preciso que todo o sistema escolar deva ser repensado para receber as crianças com necessidades especiais nas classes do ensino regular, em que, o Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola, contemple os direitos do PNEEs (Portadores de Necessidades Especiais e Educacionais), aceitando suas diferenças e qualidades como todas as pessoas “comuns”, também a estruturação das escolas deve ser modificada para facilitar o acesso das PNEEs, isto significa que tornar as escolas regulares em escolas especiais através do melhoramento da prática pedagógica, da capacitação do professor, e estrutura física do ambiente escolar dos melhores equipamentos especiais para o ensino regular, mesmo com sua necessidade ou não.

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Implica-se numa reforma no currículo, na avaliação, na metodologia, em que consiste em mais criatividade, esforço e atenção por parte da escola, como do sistema educacional e na forma da pedagogia de agrupamentos de discentes nas salas de aulas, adaptando-se à realidade em que vive, pois até o momento o sistema educacional não foi capaz de responder às suas necessidades, assim, a inclusão objetiva a reestruturação do sistema para garantir a formação dos PNEEs, na escola regular. E reconhecer a importância da família para a formação do ser humano. Para os Portadores de Necessidades Especiais (PNEEs) tem uma importância fundamental, pois a família é o eixo central para o desenvolvimento do indivíduo com deficiência, a sua inclusão no dia-a-dia, na educação dos PNEEs é a porta de entrada para o bem estar e da integração da pessoa com deficiência no meio social e na educação. É preciso um trabalho de equipe, principalmente da presença do profissional da Psicopedagogia para haver a integração da família na escola, pois, muitas famílias não reconhecem os direitos inclusivos dos filhos com necessidades especiais na formação da aprendizagem. É preciso que haja um apoio à família para orientá-los para melhor conhecer seu papel na vida e formação das crianças e adolescentes nas escolas e no meio social em que vive, superando os obstáculos, dificuldades preconceitos a enfrentar na longa caminhada. Para isso, é preciso que a equipe escolar possa ir até a família orientar os mesmos psicologicamente e emocionalmente através do apoio pedagógico como: Pedagogo, Psicopedagogo, Coordenador, Supervisor, Fonoaudiólogo, Oftalmologista, enfim, especialistas necessários para contemplar o bem estar da família e das crianças e adolescentes na escola. É essencial a presença do Psicopedagogo neste ambiente para que possa haver a interação da família com a escola, e que a superação das situações problemas do alunado tenha resolução, para construção do Eu interior saudável e completo para a cidadania da vida adulta.

Na linguagem da Psicologia multifocal: educar é acima de tudo formar o Eu como gestor da sua mente, como agente modificador da sua história e da história social. A formação do Eu interior é a base do processo de formação da personalidade. Deve-se ter uma visão otimista na transformação exercida em sala de aula, dimensionar a identificação social, psíquico e educacional aos fatores da diversificação da escola, deixando de fora os aspectos discriminatórios, a questões pessoais, em que a educação contemporânea nos leva a direções, da diversidade cultural.

Ensinar é uma articulação necessária à determinação ideológica do ser humano, que age em função de construir resultados de modo planejado. Pois, a ação humana que projetam fins e estabelecem meios pode ser a maneira mais consistente do agir intencional do planejamento. Com o objetivo de coletivamente saber o que fazer e como fazer para o processo de aprendizagem dos alunos, observando também a particularidade metodológica de cada educador de cada discente, ou seja, a realidade de cada um.

A inclusão na Educação Infantil, Fundamental, Médio e Superior são direitos fundamentais, pois tanto as normas constitucionais como internacionais em que afeta diretamente a inclusão dos PNEEs, o sistema educacional deve ter a preocupação e agilidade para propor o pleno acesso dessa minoria na educação, propondo medidas que garantem os seus direitos, como cidadãos com direitos e deveres frente à comunidade, desempenhando a formação intelectual, moral e profissional para tornar pessoas críticas, reflexivas, respeitando a sua liberdade de ir e vir, no meio social, educacional e profissional no mundo da globalização, eliminando os preconceitos que é uma situação problema em que teremos que encontrar resoluções para amenizar ou erradicar os preconceitos da sociedade, pois é o que mais afeta PNEEs para o seu desenvolvimento cognitivo e social. Em que a exclusão os preconceitos torna-se mais fácil e de preponderância os hábitos educacionais da vida das pessoas de necessidades especiais a serem incluídos no mundo social, evitando assim o manejo das instâncias judiciais.

Contudo, a presença de profissionais especializados particularmente o psicopedagogo nas escolas da rede pública, possibilita a orientação pedagógica na aprendizagem, aos pais, diretores, supervisores no trabalho de inclusão, realizando adaptações estruturais, curriculares, com possibilidades de avaliar as dificuldades de cada criança excepcional e oferecer terapia ocupacional.

Portanto, na perspectiva do trabalho pedagógico escolar, o papel do psicopedagogo é um docente especial na escola, que tem objetivos preventivo e terapêutico na sua ação pedagógica e clinica. É um trabalho voltado para a construção do conhecimento e bem estar educacional tanto do aluno quanto do professor. Pois, ele reflete sobre o ensino e aprendizagem, analisa, observa e faz o diagnóstico para que haja uma intervenção psicopedagógica para solucionar, amenizar ou corrigir situações problemas em sala de aula.

Assim, com o diagnóstico e a intervenção escolar, o psicopedagogo pode incentivar o professor e a escola, a repensarem o seu papel de docência frente às dificuldades de aprendizagens do alunado, comprometendo-se a mediar estratégias, metodologias, objetivos para reformular propostas das práticas avaliativas no âmbito escolar, com a meta de mudar a aprovação/reprovação dos alunos como uma arma, que muitas vezes, é um dos motivos para o

fracasso escolar, ou seja, uma redefinição das práticas avaliativas, a correção de um método de repressão para ser utilizada como ferramenta pedagógica para a evolução psicológica, educacional e social do discente. O psicopedagogo precisa atuar em sala de aula juntamente com o docente, apoiando-o para amenizar os problemas familiares, sociais e solucionar as dificuldades educacionais da criança.

Na Psicopedagogia, sempre estamos a procura de mais conhecimentos e informações, uma troca de conhecimentos (feedback) em que discutir, pensar, refletir, planejar, questionar, repensar, estabelece consonância com nossas experiências didáticas, que tem maior significação e valor no andamento desde percurso profissional. Com a evolução comunicativa através da procura de mais informações é sinônimo de riqueza no nosso vocabulário com mais aprendizagem e conhecimento no nosso currículo educacional e profissional. Linguagem refinada esta que nos objetiva aprofundar na nossa comunicação e entendimento com um poder de persuasão de clareza e determinação no que falamos e uma visão crítica vigente no paralelo real da sociedade em que vivemos atualmente.

     Daniele Galvão

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