O UNIVERSO DA IGUALDADE – VIVÊNCIAS AUTÍSTICAS

globo de mãozinhas

 

Na escola, o desafio que um aluno autista pode enfrentar vai muito além do famoso ”convívio social”. Assim como o sensorial, que envolvem os ruídos de garotos ao brincarem ao seu redor, ainda há muitos outros que você sequer imagina.

Esse desafio é construir uma amizade duradoura, onde poucos conseguem tolerar a diferença neurológica como ”um modo de ver o mundo ao redor”.

Ver o mundo com ”os olhos” do autista é algo que requer uma reflexão aprofundada. Alunos neurotípicos que ao enfrentar a adolescência e a juventude, nem sempre estão dispostos ou preparados para descobrir o universo autista.

Enquanto a inclusão ainda é uma questão desafiadora, temos que entender que um autista não precisa ser cobrado na escola, no caso, o professor precisa conhecê-lo, para depois ajudá-lo em momentos de solidão.

Dizer aos neurotípicos como é ser autista é um desafio, requer um excelso conhecimento e as palavras devem ser compreensíveis, para que os outros entendam que o autismo não tem nada a ver com os Down’s.

E o que dizer ao ”universo da igualdade” ao enxergarmos o mundo de maneiras diferentes? O que dizer ao universo da igualdade se a sua mente é diferente da minha? Pois bem.

”Dizer aos neurotípicos como é ser autista, requer compreensão dos mesmos, para que as mentes estejam conectadas”. Ou seja, é necessário que eles compreendam a condição e reflitam em sua memória.

O meu maior sonho como Asperger é ver os meus amigos autistas serem mais compreendidos com os que não são. Mas nem sempre dá pra generalizar, pois cada um tem a própria realidade e nem todos estão dispostos a compreender.

O que dizer ao universo da igualdade se somos tratados de forma diferente dos outros? Alguém pode pensar ou imaginar como é a nossa realidade ou de que forma nós vemos essa diferença. O que dizer ao universo da igualdade sobre superação?

O que podemos superar, não é a diferença da mente e sim conseguir lutar e vencer a guerra. Eis o verdadeiro universo da igualdade, somos iguais.

Somos ”iguais” porque todos nós somos humanos, com ou sem autismo. Somos iguais porque somos cidadãos, é como disse um candidato a deputado, que pode não ter as mãos, porém ele acredita na sua própria capacidade de fazer a diferença para o país.

”Deficiente é aquele que não acredita na sua capacidade”.

Acredite na sua capacidade, acredite no futuro, acredite no seu universo. Se formos diferentes para os que dizem que são, podemos fazer a diferença no universo da igualdade. Ninguém é grande, porque é inteligente, ninguém é pequeno, porque não consegue ter vários amigos. Ninguém é melhor ou pior que ninguém, esse é o verdadeiro universo da igualdade humana.

    Leonardo Ricardo