VIDA DE AUTISTA

SER AUTISTA

Estar sozinho em um mundo diferente não significa almejar a solidão apesar de viver na solicitude.

Para o autista há várias razões para fazer a diferença neste país e para os ditos normais.

O silêncio nem sempre é o desejo de estar calado e o olhar perdido nem sempre é o querer evitar a fixação desse olhar.

O mundo em volta do ”ser autista” nem sempre abre as portas. O importante é saber que existem pessoas que o amam.

Pequenos gestos geram grandes sinais, a vida pode ser um poema para muitos e para outros, puro desafio.

O ser do autista vive em um mundo diferenciado e já está familiarizado com as diferenças neurológicas.

Há uma diferente entre ser autista e estar autista, assim como há uma grande diferença entre solicitude e solidão.

O autista, às vezes, se sente só e num mundo distinto. A mente computadorizada e complexa, muitas vezes, não é aproveitada pelo mundo neurotípico…

Apesar de viver de forma diferente podem viver felizes como são. Os olhares não se perdem a toa, muito embora nem todos tenha esta característica em comum: ”Às vezes me sinto inseguro ao conversar com alguém por causa das respostas negativas e sinais de desinteresse pelos temas que abordo. O autismo faz parte de mim, assim como o meu mundo é uma partícula que vive em mim. Quando me recordo de nomes, datas de eventos, datas de nascimento, tenho dom pra isso, tenho talento para usar”.

Não é que sentem medo de palestrar perante multidões, há vários motivos para certa ”insegurança” entre outras sensações que podem sentir e descrever. Nem sempre as pessoas estão gostando dos assuntos, porém acredito que haverá alguém que pode ajudar a compartilhar os seus assuntos.

Estereotipias nem sempre surgem quando querem, elas surgem como uma forma de defesa… Às vezes desligam-se do mundo real quando surgem, quando se dão conta que as pessoas os chamam para conversar, imediatamente, somem.

As letras voam e surgem quando pensadas, imagens, prédios, casas, avenidas, pessoas, animais…. Tudo isso surge quando pensam, quando escutam palavras e pensam nelas. Palavras citadas que, não só imaginadas, também se transformam em poemas e/ou textos.

Cada poema pode ser uma história inventada, criada, representando a própria vida ou parcialmente. Os barulhos audíveis nem sempre são agradáveis e nem sempre incomodam por causa da altura do som. Sons graves e agudos podem ajudar ou atrapalhar, dependendo de como a mente processará.

Fico feliz em poder escrever, em poder compartilhar tudo o que a minha mente produz.

   Leonardo Ricardo     

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